Fernando Garcia

Psicólogo Clínico (CRP 06/135017)

3 livros que mudaram minha vida como psicoterapeuta

Esses livros não mudaram só minha forma de atender.
Mudaram minha forma de ver o ser humano.
E principalmente: minha forma de me ver como terapeuta.


1. O Homem à Procura de Si Mesmo – Rollo May

Esse livro me mostrou o que eu já intuía:
O vazio da vida moderna não é falta de conteúdo. É falta de autenticidade.

May destrincha o absurdo de seguir um itinerário de vida pronto — trabalhar, casar, ter filhos, acumular coisas — e no fim se sentir completamente perdido.

Ele coloca o dedo na ferida da solidão existencial, do medo de ser você mesmo, de não agradar os outros, de bancar suas escolhas.

E aponta o caminho:
a coragem.
A coragem de se bancar. De deixar de viver uma vida emprestada pra começar a viver uma vida verdadeira.


2. Em Busca de Sentido – Viktor Frankl

Esse livro não é só leitura. É pancada.
É a experiência de um homem que sobreviveu a Auschwitz — e não perdeu sua dignidade.
Frankl mostra que o ser humano pode suportar quase tudo… desde que tenha um sentido.

Sem sentido, tudo pesa.
Com sentido, até o sofrimento ganha direção.

E essa foi a virada de chave pra mim:
O que adoece o ser humano não é só a dor, é o vazio de sentido.
Quem não sabe pra onde vai, se arrasta.
Quem sabe, atravessa o inferno de pé.


3. De Pessoa a Pessoa – A Psicoterapia Dialógica – Richard Hycner

Esse foi o livro que mais me provocou como terapeuta.
Porque ele não fala sobre o “fazer terapia”, mas sobre ser terapeuta.

Hycner me ensinou que técnica nenhuma cura.
Quem cura é a relação.
É a presença.
É a escuta viva, real, humana.

E mais:
Me ensinou que o terapeuta também é pessoa.
Também sofre. Também erra. Também tem medo.

A força da psicoterapia não está na postura do especialista —
mas na humildade de quem senta diante do outro como ser humano.
É um trabalho a dois.
É um encontro.
E encontros de verdade exigem coragem, paciência e muita escuta.


Esses livros me ajudaram a me tornar menos técnico e mais inteiro.
Me lembraram que, no fim, o que cura não é o conhecimento.
É a verdade.
É a relação.
É o sentido que nasce quando duas pessoas se encontram — uma buscando ajuda, e a outra oferecendo presença.

Fernando Garcia

Deixe um comentário