Você acha que psicologia é só sobre transtornos mentais? Pois é, essa ideia pode estar totalmente errada! Vamos quebrar esse mito agora.
Primeiro, é importante entender que psicologias existem — no plural mesmo. Cada uma tem uma visão própria do mundo, do ser humano e um objetivo diferente para o que chama de “cura” ou “tratamento”.
Você já ouviu falar em TCC, Psicanálise, Psicologia Junguiana, Psicologia Humanista… certo? Cada uma delas parte de uma base diferente para entender quem somos e como nos relacionamos com a vida. Isso significa que elas não são a mesma coisa — e muito menos têm o mesmo foco.
Eu falo aqui da Psicologia Humanista-Existencial, a abordagem que defendo e pela qual me formei, especialmente na Gestalt-terapia.
Humanista porque acredita na capacidade e valor do ser humano — uma visão positiva, cheia de esperança.
Existencial porque quer entender o ser humano em seus modos diversos de existir no mundo, com suas escolhas, desafios e liberdade.
Agora, aqui está o ponto chave: essa abordagem não é patologizadora.
Sabe aquela ideia de patologia, que muita gente associa a “doença”? Esqueça! Patologia não é o estudo dos patos, e psicopatologia não é o estudo de “patos psíquicos”. É um campo que conversa com a psicologia, mas não define quem você é.
Na Psicologia Humanista-Existencial, o transtorno mental não é o que define a existência da pessoa.
O foco está na potência que cada um já traz dentro de si — no modo único que você tem de ser-no-mundo.
Vamos dar um exemplo prático: uma pessoa não é ansiosa; a ansiedade não é sua identidade. Ansiedade é um sintoma, uma manifestação de algo que está bloqueando esse potencial de lidar com a vida.
Esse bloqueio aparece como preocupação excessiva, medo desproporcional, uma mente acelerada que não descansa. Mas por quê? Será que essa pessoa não tem capacidade para enfrentar o que a preocupa? Claro que tem!
O trabalho terapêutico nessa linha é ajudar a pessoa a reencontrar essa força interior, que sempre esteve lá, só que às vezes está escondida ou abafada pelo sofrimento.
Viktor Frankl, um dos grandes pensadores dessa corrente, forjou sua logoterapia em condições extremas — nos campos de concentração — e nos mostrou que a capacidade de encontrar sentido e força está em todo ser humano.
Carl Rogers, outro gigante da Psicologia Humanista, ensinou que a cura acontece quando a pessoa pode se reconectar com seu verdadeiro potencial, em um ambiente que acolhe e respeita sua experiência.
Fritz Perls, fundador da Gestalt-terapia, dizia que somos agentes ativos da nossa própria vida — não simples passivos que deixam os acontecimentos controlarem tudo.
A passividade aparece quando ideias e julgamentos externos nos dominam e nos fazem sentir fracos.
Por isso, o foco da terapia humanista-existencial não é ficar entendendo “qual doença” você tem, mas fortalecer você para enfrentar o que vier, com autenticidade e coragem.
Não existe pessoa “doente” — existe pessoa que precisa lembrar do poder que carrega dentro de si.
E essa é a revolução da Psicologia Humanista: acreditar na potência humana, na liberdade e no sentido da existência, para que possamos, juntos, superar qualquer sofrimento.


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