Você já faz ou já fez terapia? E não, não estou falando de fisioterapia, nem de terapia ocupacional — falo mesmo de psicoterapia.
Pois bem, aqui vai uma curiosidade que poucos sabem: existe um dilema histórico e conceitual sobre como chamar quem busca terapia. Você sabia disso?
Se você é psicólogo, já deve ter ouvido falar desse debate.
Tem quem chame essa pessoa de paciente.
Tem quem prefira o termo cliente.
E tem ainda um terceiro nome que surgiu para tentar resolver esse impasse: consulente.
Vamos entender de onde vêm essas diferenças?
Chamar quem busca terapia de paciente vem da tradição médica. Afinal, Sigmund Freud, o pai da psicoterapia moderna, era médico. A ideia era que quem procura ajuda psicológica estava “doente”, precisava ser tratado.
Mas, lá pelos anos 60, especialmente nos Estados Unidos, surgiram as abordagens humanistas — com Carl Rogers à frente — que mudaram esse olhar.
Rogers e seus colegas passaram a ver o ser humano como um potencial a ser desenvolvido, não como alguém passivo ou doente.
Por isso, quem buscava terapia passou a ser chamado de cliente — uma pessoa que não espera uma “mágica” do terapeuta, mas participa ativamente do processo de crescimento.
Daí nasceu a “Terapia Centrada no Cliente”, que depois ficou conhecida como “Abordagem Centrada na Pessoa”.
Para Rogers, saúde não é ausência de doença, mas sim o desenvolvimento pessoal e da autenticidade.
Porém, o termo cliente levantou outra questão: parece que estamos tratando terapia como algo comercial, como um serviço capitalista, uma relação de compra e venda.
Então, para fugir tanto do enfoque na doença quanto da ideia de mercado, surgiu o termo consulente — aquele que se consulta, que busca aconselhamento.
Viu só? Quase uma solução elegante para o dilema de como nomear quem procura ajuda psicológica.
E você, já tinha reparado nessas três formas? Qual delas mais faz sentido para você?
Fernando Garcia


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