O transtorno bipolar é um dos diagnósticos que mais gera dúvidas, medos e equívocos — tanto para quem o recebe quanto para as pessoas ao redor.
Receber esse diagnóstico costuma ser um grande susto. Muitas vezes ele chega depois de um episódio de mania que assustou, envergonhou ou deixou marcas difíceis de processar. E junto com o diagnóstico, vêm perguntas que ninguém sabe responder direito: o que isso significa para a minha vida? Vou depender de remédio para sempre? Perdi minha liberdade?
Essas perguntas fazem sentido. E merecem respostas honestas.
O que é o transtorno bipolar, de verdade?
O transtorno bipolar não é uma doença isolada do cérebro. Tecnicamente, é classificado como um transtorno e essa distinção importa.
Nenhum transtorno mental se desenvolve de forma isolada. Ele é sempre o resultado de uma relação entre organismo e ambiente. Você pode ter uma predisposição genética ou neurológica, mas o transtorno se manifesta a partir do que você viveu, das relações que teve, dos ambientes em que esteve e das cargas emocionais que acumulou ao longo da vida.
Isso significa que o transtorno bipolar tem uma história. E toda história pode ser compreendida, elaborada e transformada.
O que a medicação faz e o que ela não faz
A medicação é parte importante do tratamento. Ela estabiliza os sintomas, reduz a intensidade dos episódios depressivos e maníacos e permite que a pessoa funcione com mais equilíbrio no dia a dia.
Mas a medicação estabiliza sintomas e não resolve o sofrimento que está por trás deles. A angústia, as feridas emocionais, as relações que drenam, a vida que não faz sentido: isso continua lá enquanto não for olhado com cuidado e profundidade.
Por isso, o tratamento do transtorno bipolar não pode parar na estabilização dos sintomas. O objetivo é a remissão e uma vida que vale a pena ser vivida.
Os três pilares do cuidado
Assim como em todo o meu trabalho clínico, compreendo o cuidado com o transtorno bipolar a partir de três pilares:
Saúde Fisiológica
Cuidar do sono, da alimentação, da rotina, do exercício físico e do uso correto das medicações. O acompanhamento psiquiátrico é fundamental nesse pilar e a psicoterapia caminha junto, sem substituí-lo. O exercício físico, especialmente, é uma via poderosa de expressão emocional e de aterramento do organismo.
Saúde Emocional
Compreender as relações que te adoecem e as que te nutrem. Identificar cargas emocionais do passado que ainda pesam. Entender como se configuraram seus padrões de resposta emocional e como eles se expressam nos episódios depressivos e maníacos. É nesse pilar que o transtorno começa a fazer sentido como parte de uma história, e não como uma sentença.
Saúde Existencial
Pensar a vida para além do transtorno. Retomar objetivos, sonhos e o que faz sentido para você. Cuidar da saúde existencial é sair do modo de apagar incêndio e começar a construir um projeto de vida coerente com quem você é e com quem você quer ser.
Como acontece o trabalho clínico com transtorno bipolar
Nas primeiras sessões, faço um mapeamento detalhado de como esses três pilares estão na vida da pessoa. Esse mapeamento é o ponto de partida para entender o que está sustentando o sofrimento e o que pode ser transformado.
A psicoterapia não é um espaço para falar sobre sintomas. É um espaço para compreender sua história, seus padrões emocionais, suas relações e seus desejos mais genuínos. É um trabalho que exige confiança, presença e escuta real e é exatamente isso que me proponho a oferecer.
Atendo pessoas com transtorno bipolar e outros transtornos mentais há mais de 10 anos, de forma online para todo o Brasil e exterior, e presencialmente em Campinas, SP.

